Soneto por Ana Eurídice

Daniel F. Gerhartz, "Mulher escrevendo no jardim"

Ana Eurídice Eufrosina de Barandas (1806-1863) foi uma poeta e filósofa brasileira considerada uma das pioneiras da literatura e da filosofia escrita por mulheres no Brasil. Sua obra encontra-se reunida no volume O ramalhete (EDIPUCRS, 1990), que contém o importante Diálogos, considerado o primeiro texto feminista brasileiro.

Como és frágil, humana natureza!

És fantástica vã filosofia:

Teu nome altissonante me iludia,

Pensando nele achar minha defesa!

Tua mal entendida fortaleza

Sugere-se da nossa fantasia:

Nada em ti é real!… Minha agonia

Co’evidência me mostra esta certeza.

Uma simples lembrança me horroriza:

Temo do acaso os seus cruéis azares:

Um nada me flagela e atemoriza!

Já vejo navegando em altos mares…

Sulcar as ondas minha alma já divisa

O meu Jacínio!… Oh céus!… para outros lares!

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Terra úmida

“[…] aqueles rios que me provocavam imersões tão profundas quanto suas águas”

Bicho

“não consigo nomear porque eles não usam palavras”

Sete poemas

Sete poemas do livro Azul instantâneo (Editora do Autor, 2018) de Pedro Vale.

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