Dois contos de Elas, mulheres

Helene Schjerfbeck, "Maria" (1909)
Galeria Nacional da Finlândia

Claudia Jordão

Quatro

1. 2. 3. Ângela. 5. 6. 7. Sofia. 9. 10. 11. Elisângela. 13. 14. 15. Dulcinéia. 17. 18. 19. Eduarda. 21. 22. 23. Cristiane. 25. 26. 27. Gabriela. 29. 30. 31. Liana. 33. 34. 35. Sônia. 37. 38. 39. Lúcia. 41. 42. 43. Ariane. 45. 46. 47. Sabrina. 49. 50. 51. Luana. 53. 54. 55. Patrícia. 57. 58. 59. Juliana. 61. 62. 63. Marina. 65. 66. 67. Elisa. 69. 70. 71. Kimberly. 73. 74. 75. Cassiana. 77. 78. 79. Eloá. 81. 82. 83. Miriam. 85. 86. 87. Maria. 89. 90. 91. Bianca. 93. 94. 95. Emiliane. 97. 98. 99. Elieide… 1.567 e a Tainara.


A menina como campo de batalha

Segunda-feira.
O advogado atravessa os corredores da Vara de Família.
Anexa mais um papel à pilha de vidas em disputa.

Quinta-feira – despacho:
“Pedido negado. Convivência obrigatória com o pai.
Cumprimento imediato”.

Quinta-feira – anúncio:
“Amanhã, o pai aguardará a menina – ou requererá a guarda definitiva”.

A menina corre para o quarto.
Arranca uma folha do caderno.
Deita-se.

A caneta, incansável, mancha o papel.
Raiva funda.
Raiva ferida.
Raiva-segredo.

A mãe não sabe.
A juíza não sabe.
O advogado não sabe.

A menina não sabe contar – por isso escreve:
Mãe, me desculpe.
Te amo.

Assina.

Segunda-feira seguinte.

Na Vara de Família, o advogado com a carta em mãos:
“Anexe-se aos autos.
Fato consumado.
Visitas extintas”.

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