Giovani Miguez
prólogo: a espera
não é dormência
toda essa ausência
que para
e, parando, desenha
toda a cara.
costume? não sei.
no lume. esperei.
é no antes do sopro,
aquele entreposto,
o hiato,
que não se nomeia,
se faz ato.
é início, eu sei.
no precipício. cheguei.
é vento
não é qualquer evento
todo esse vento
que sopra
e, soprando, macula
toda a obra.
dádiva? não sei.
na dúvida. acordei.
é no abraço do vento,
aquele momento,
o agora,
que não se calcula,
se desenrola.
é dádiva, eu sei.
se esquiva, pensei.
é solitude
não é castigo
esse abrigo
que cala
e, calando, revela
toda a fala.
vazio? não sei.
no frio. avistei.
é no centro da ausência,
aquela essência,
o sossego,
que não se amofina,
se faz aconchego.
é solitude, eu sei.
na plenitude. fiquei.
a carga
não é repouso
todo esse fosso
que pesa
e, pesando, devora
toda a reza.
descanso? não sei.
no espanto. parei.
é no mudo do grito,
aquele infinito,
o breu,
que não se suporta,
se perdeu.
é fardo, eu sei.
no retardo. cansei.
a quebra
não é ruído
todo esse estalido
que racha
e, rachando, liberta
quem se acha.
trovão? não sei.
no chão. encontrei.
é no susto do som,
aquele tom,
o grito,
que não se segura,
se faz rito.
é vida, eu sei.
na saída. cantei.
epílogo: a fresta
não é chegada
toda essa estrada
que abre
e, abrindo, desvenda
quem nos cabe.
fim? não sei.
no jardim. passei.
é na luz do rastro,
aquele mastro,
o rito,
que não se encerra,
se faz mito.
é ciclo, eu sei.
no infinito. entrei.
07.01.2026