Poemas de Ária

Vincent van Gogh, "Chuva" (c. 1889)
Philadelphia Museum of Art

Rudá Ventura

Alvorada

Espera um sol esta chuva...

A noite é curta em único abraço,
e o fado espreita nosso arbítrio.

Deixa eu te contar meu silêncio
e deixa eu me calar em teus lábios...
Cada beijo é um abrigo.

Deixa eu dormir em teu sonho
e ao fechar meus olhos

mostra-me a luz.

Vastidão

Visitei as copas das árvores
e, vizinho dos pássaros,
enxerguei-me pequeno no chão.

Creio que olhamos o céu
para nos elevar à sua altura...

Do alto
o campo é mais vasto.

Distopia

Por tanto calarem-se à dor de outras vozes,
por tanto desdém aos verbos atrozes

muitas terras conquistou o silêncio.

Quando, enfim, o pranto sentiram
e em desespero, por amparo, gritaram

já não era possível escutarem a si mesmos.

Compartilhe:

Uma caça

A “voz violenta de suas entranhas”, um poema

Translate