Feridas abertas

Angelo Inganni, "Noturno da praça do domo de Milão" (c. 1866).

Marina Alexiou

E se um dia, por algum motivo, a memória não mais estiver aqui e eu olhar para as estrelas do céu de Milão, as cortinas do palco estelar irão se abrir e lá vão estar o seu sorriso, nós dois a correr para apanhar o bonde, as lágrimas das partidas indesejadas, e o vento do tempo a arrastar as nuvens e os acontecimentos.

A chegada da velhice e os beijos de boa noite na varanda de nossa casa…

Não nos foi dada a oportunidade de conversar sobre tudo isso antes da decadência dos neurônios, mais rápida e instantânea que o raio de Zeus. Mas o céu de Milão continuará contando com o meu olhar a refletir o meu amor por você.

No silêncio da memória…

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Um conto do escritor venezuelano Pedro Emilio Coll traduzido por Rafael Rocca dos Santos.

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