SIDOL

Agnes Martin, "Sem título" (1912)
Guggenheim, Nova York

Faraòn Meteosès

Tradução de Laura Cancellieri

Sidol: sabor amarelo limão. Agra lucidez mental
Solaridade do pomo: pensamento primigênio.
Lingote esférico das minhas riquezas interiores
Totem em forma fálica
Recordação-flash afônica de apelo telefônico
Como uma burla-vislumbre-bambino
Pano de lã macia esfregado sobre níveis
lisos-lascivos-luxuriosos
Sabor de ouro puro: limpeza do Espírito
Dúctil olho metálico da autoconsciência
Através da fechadura diviso a verdadeira essência do mundo
A minha casa é toda de Sidol
como uma fábula consumística-atávica
As minhas mãos resplandecem como pratos de latão
Juntas fazem uma bandeja de joias:
darei a ti a carícia mais áurea
A minha fronte está livre de rugas ainda sou recém-nascido:
tenho um vagido auroral
O puxador agora é tirado por fios de palha
Mudo-me para uma outra sala sem substância
…noutra dimensão
Cintilante de Sidol! Aqui… no supermarket.

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Cavalo

“o silêncio de papai”

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