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Ainda estamos aqui

Lucas Cassiano

Na solidão dos compromissos cotidianos a maioria dos pensamentos inúteis passam despercebidos!

Perguntas como: “por que as pessoas envelhecem?”, “por que elas vão embora?” e também a pergunta mais famosa entre as pessoas que assim como eu têm tempo de sobra pra pensar, “por que viver se vou morrer?”

Assim como quem busca respostas para responder questionários, charadas e as mais diversas dúvidas sobre qualquer assunto que eu não tenha resposta, iniciei uma caça a fim de responder minhas perguntas e enfrentar os meus maiores medos. A perturbação já era tanta que não conseguia dormir, estudar ou sequer me apaixonar!

Entre todas as minhas perturbações eu posso dizer que a maior delas era o “tempo”. Como pode o tempo ser tão cruel? Como é possível que eu um garoto de 15 anos tenha feito 21 anos no ano passado? Como é possível que minha mãe tenha mais de três fios de cabelo branco em sua cabeça? Essas perguntas eram as principais causas das minhas dores de cabeça e insônia que a cada dia pioravam.

Busquei respostas no Google, livros e até mesmo em caixas de cereais, porém essas perguntas tinham como resposta uma outra pergunta, a pergunta final, a pergunta mestra!

Por que nós morremos?

Na minha busca por respostas descobri pessoas que tinham as mesmas dúvidas que as minhas e que tinham experimentado uma das drogas mais viciantes entre todos aqueles que se aventuraram no mundo da literatura! Essa droga no início não causa efeitos externamente, mas ela corrói por dentro até você perder a sua alma.

Você deve estar se perguntando que droga é essa e eu vou dizer qual é:

EXISTENCIALISMO

Segundo minhas fontes de pesquisa, o existencialismo é uma forma de investigação filosófica que explora os questionamentos acerca da existência humana. Creio que após essa breve definição você pode supor o porquê de os meus amigos terem perdido a alma tão cedo e de forma tão rápida.

Comecei a ler Camus, Sartre e até Kierkegaard, mas tudo entrava por um ouvido e saia pelo outro! Não estou dizendo que não apreciei a leitura, mas apenas citando o fato de que algumas respostas podem não vir de palavras escritas, mas sim através de mecanismos alternativos que também estão presentes na nossa vida. Como minha maior paixão é o audiovisual, fui em busca de alguns conteúdos que pudessem esclarecer e tentar entender um pouco de como seria uma obra existencialista analisada de uma perspectiva bem voyeur.

Ao buscar obras audiovisuais com uma verdadeira veia existencialista, eu me deparo com uma série que ao menos em sua sinopse aparentava ter essa essência: The leftovers.

A série fala sobre os habitantes de uma pequena cidade e de como eles lidam com o fato de 2% da população mundial ter sumido. Você deve estar se perguntando, “apenas 2%?” Exato!

Apenas 2%, mas a grande questão não é quantidade de pessoas que sumiram e nem quem sumiu, mas sim qual é o efeito desse sumiço na vida das pessoas que não desapareceram, das pessoas que ficaram.

Não vou contar a história completa da série por motivos óbvios, mas em um brevíssimo resumo, focado em dois dos principais personagens, a série acompanha a história de um casal que se conhece no meio do caos do desaparecimento de uma parcela da população e como eles tentam achar um refúgio ou uma cortina de fumaça em ideias de amor, família e união para tentar fugir das mesmas perguntas das quais eu estava buscando respostas.

Em determinado ponto da série, pode-se dizer que eles deixaram com que essas perguntas fossem mais fortes e os dominassem a ponto de fazer com que o relacionamento dos dois chegasse ao fim. Tempos depois, após um longo período sem contato, esse casal, beirando a velhice, reúne-se e conversa sobre o passado, sobre as pessoas, sobre o amor que outrora um sentia pelo outro e também sobre como a busca por respostas pode ser decepcionante! No fim desse diálogo marcante, um segura a mão do outro e, ao som de pássaros cantando, suas últimas palavras foram:

Nós ainda estamos aqui“.

Quando decidi escrever esse ensaio, eu não tinha e permaneço não tendo a mínima intenção de lhe dizer que agora eu sou uma pessoa que não tem preocupações, que sou uma pessoa cuja morte não me assusta ou que sou uma pessoa que não tem medo das rugas da velhice. Posso lhes garantir que em minha essência nada mudou, com exceção da minha vontade de viver, de respirar, de amar, de abraçar quem amo e poder dizer que amo! Pode-se dizer que a morte é inimiga da vida, mas, enquanto houver vida dentro de nós, cabe-nos cumprir nossa missão baseada em amor enquanto nós ainda estamos aqui.

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